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ENTREVISTA: MARÍA GABRIELA PARA "CONTRAPUNTO.COM"


María Gabriela foi entrevistada pela equipe do site Contrapunto.com para falar sobre seu novo filme Blue Label, onde interpretará a protagonista Eugenia Blanc. María fala sobre seus papéis anteriores, seu namorado Christian McGaffney, sua decisão ao veganismo, sua convivência em outros países e muito mais. Abaixo você pode conferir um pequeno vídeo publicado pelo site com um pedaço da entrevista onde ela fala sobre o filme e em seguida, a entrevista completa traduzida:

"María Gabriela de Faría: Há talento, e essa é a Venezuela que o mundo previsa ver"

A menina bonita das telenovelas da RCTV não deixou de ter esse rosto encantador que faz com que seja impossível passar despercebida.

Longe de ser uma celebridade fria por conta do êxito alcançado, graças à audiência conseguida por séries como "Túkiti, crecí de una", "Isa TKM" e "Yo Soy Franky", que recentemente chegou à Venezuela através do canal Nickelodeon, María Gabriela de Faría chega ao local da entrevista ao natural, para falar positivamente de estar de volta em seu país natal Venezuela e de todas aquelas coisas que conta fazê-la feliz por estar em sua "terrinha".
Nos conhecíamos há muitos anos, quando compartilhávamos o gosto infantil de fazer televisão e nos reencontramos sem aviso, 10 anos depois, na coletiva de imprensa que Alejandro Bellame convocou para anunciar o início das gravações da adaptação cinematográfica do livro "Blue Label / Etiqueta Azul", do reconhecido escritor venezuelano Eduardo Sánchez Rugeles, onde ela interpreta Eugenia.

"Sinto que este filme fala muito do que estamos vivendo", e assegura que além do mais este é o momento perfeito para fazê-lo porque a situação do país faz com que as pessoas tenham seus olhos voltados à Venezuela.

Foi assim que o ponto de Bellame resultou na desculpa para uma larga conversa na qual De Faría fala do que significa ser uma venezuelana universal, que adora estar de volta para ver as ruas onde cresceu e viveu alguns dos momentos mais significativos de sua adolescência.

- Gaby, você está a ponto de começar a gravar Blue Label / Etiqueta Azul e além disso é a protagonista, como você se prepara pra interpretar Eugenia?
- Eugenia... Sim, tenho tido personagens que tem sido desafiadores, sobre tudo porque precisei encarar outras nacionalidades, mas este, apesar de ser venezuelano e muito próximo a mim, é muito complicado. Acho que é o maior desfio que recebi até agora na minha carreira e eu acredito que não somente pela dificuldade do personagem mas também porque Eugenia é um personagem muito intenso e com muitas atormentações internas que eu tenho que refletir, além do mais o livro de Eduardo tem muitíssimos seguidores e eu sinto que todos esses fãs tem uma Eugênia na sua cabeça e dizem: "eu a imagino dessa maneira e que fale assim ou assado", e sinto que nunca vou cumprir essas expectativas, mas de certa maneira me acalma que Eduardo esteja contente e em paz por sua decisão de Eugenia. Isso já é uma ganância, e bom, obviamente não estamos dormindo, não estamos comendo, não estamos fazendo nada, estando trabalhando e nada mais para que os personagens sejam como tem que ser, especificamente os principais que embarcam neste road trip. E a verdade é que, William Goite, que é o treinador, está me ajudando muitíssimo a dar vida a isso que está no livro, o que não é nada fácil.

- Até onde você quer ir com o cinema venezuelano, gostaria de levar a sério o tema do cinema?
- Totalmente... Temos ao menos quatro anos tratando de fazer esse filme. A primeira seção de casting foi... Sim, faz uns quatro anos. Eu mandei meu casting, e fiz piada com minha mão pois estou há quatro anos dizendo a ela: "já já vou a Venezuela, no mês que vem vamos fazer Etiqueta Azul". "Ainda não, é em seis meses", e assim temos estado, mas acredito que é o momento perfeito porque os filmes venezuelanos agora estão levando todos os prêmios nos festivais de cinema mais importantes do mundo e todo mundo está falando desses filmes e eles adoram, está na boca de todos. Acho que fizemos uma preparação maravilhosa pra que enfim façamos Blue Label / Etiqueta Azul e é o momento perfeito pra fazê-lo, porque a situação do país faz com que as pessoas tenham os olhos voltados à Venezuela.
Sinto que além do mais esse filme trata muito do que estamos vivento e chama muita atenção das pessoas. Às pessoas de Los Angeles, por exemplo, que é onde moro, comentei a eles sobre o filme que vou fazer na Venezuela e ao invés de dizerem: Por quê? Não vá... me dizem "cool", que interessante, adoraria assistir, e isso não tínhamos antes e sinto que as pessoas ainda não o reconhecem. Sinto que muitas vezes as pessoas na rua e que sobre tudo posso vem nos comentários das fotos do Instagram que me dizem: "O cinema venezuelano é uma merda", "por quê está fazendo isso?", falam desde a ignorância e o que diz respeito ao passado.
Sinto que agora os filmes são maravilhosos: Tamara, La Família, El Amparo... E posso te falar mais um monte de filmes maravilhosos que estão nos representando incrivelmente fora daqui, e esperamos que esse filme chegue muito mais longe do que chegaram os anteriores, porque cada vez que alguém faz um projeto tem expectativas muito mais altas e isso é o que eu quero. Eu mentiria se te dissesse que não quero ganhar como melhor atriz em todos os festivais de cinema do planeta e por isso estamos trabalhando, definitivamente quero seguir explorando o tema do cinema e sobre tudo aqui na Venezuela porque tenho tido a oportunidade de fazer cinema em outros países mas nunca tive a oportunidade de fazer aqui, isso tinha sido uma das minhas grandes frustrações na vida, estar nesse projeto é uma benção... e queria poder seguir fazendo-o para continuar levando a mensagem de que na Venezuela não acontecem apenas coisas que não são tão legais, mas que há uma quantidade de gente que não quer ir e há muitíssimo alento. Eu vejo dia a dia, e essa é a Venezuela que o mundo tem que ver", assegura De Faría.

- Por quê confiar em Alejandro Bellame?
- É que estamos há anos nesse projeto de nos conhecer. Eu mandei primeiro uma audição, porque eu tinha estado sempre fora, e desde esse momento sempre temos falado durante os anos trabalhando na Eugenia. Criamos uma relação muito próxima, mesmo que nunca tínhamos nos visto pessoalmente até agora, e porque temos as mesmas vontades de fazer esse filme e a mesma paixão pelo que fazemos e acreditamos da mesma forma no projeto.

- Qual dos projetos que você protagonizou que te deu mais satisfação, e por quê?
- Até agora, Yo Soy Franky, porque é o personagem mais lindo e mais divertido que fiz. É um robô que além do mais é inspirado no filho de Eloísa (Maturén) e em Eleanor, que começa sendo muito básico... Sua missão é aprender a socializar e a ser o mais humano que puder ser, é um experimento de uma companhia tecnológica. Então, a infiltram no colégio e em uma família para ver como é seu processo de humanização. Foi muito bacana trabalhar isso, e depois foi aprendendo coisas na medida em que as outras pessoas as faziam. Era um personagem muito meigo e além disso muitas crianças gostaram, e foi aí quando pela primeira vez assumi a responsabilidade de fazer algo maior que eu mesma, e além do mais é um personagem que eu sinto falta, claro eu 14 horas do dia era a Franky e depois chegava em casa e me deitava pra dormir e ia ao trabalho e era Franky o dia todo. Então, esse é o personagem que mais tenho gostado pela responsabilidade social que me deu.

- Como se sente em ser a figura e o exemplo de muitos meninos na Venezuela e no resto da América Latina?
- Quando comecei com estas séries de crianças, eu o recusava muito, na verdade... Porque também estava pequena. Depois você cresce e vai entendendo que não há nada melhor na vida que ter essa responsabilidade tão cobradora. Agora me parece mais uma oportunidade espetacular de semear uma ideia, uma semente de qualquer coisa que pra mim seja importante em um montão de crianças que vão crescer e vão ser uns adultos e tomara que eu possa formar parte de alguns valores que tenham nesse momento, e para mim não há trabalho melhor que esse. Eu agora não quero deixar nunca de trabalhar para crianças e além disso uso também minhas redes sociais, que podem ser uma desgraça ou uma benção, para levar a eles a mensagem que eu creio que é mais importante, porque sinto que cada um tem algo que os move, e a mim, são os animais e o planeta, e sim eu posso ajudá-los a serem pessoas mais conscientes, mais amorosas, mais respeitosas, perfeito, fiz minha vida e posso morrer tranquila.

- Logo antes de chegar na Venezuela você estava em Bogotá. Como vê a convergência de atores colombianos e venezuelanos nesta cidade?
- É que a Colômbia é o mais perto que temos e de certa maneira é o mais seguro. Nos parecemos muito em vários aspectos e é o lugar, acredito, que assim que queiras ir a qualquer outro lugar, onde deve chegar como ator, sobre tudo porque tens muito apoio, não se sente como um estranho e graças a Deus os colombianos tem recebido muito bem os venezuelanos, e os venezuelanos são talentosos e portanto tem feito um muito bom trabalho e continuam sendo chamados. Agora mesmo estão fazendo uma série de Simón Bolívar. Estão muito interessados em nossas histórias e isso é uma benção.
Os venezuelanos, e de certa forma eu entendo, estão tão desesperados por algo que não se importam que não os paguem ou que lhes paguem pouco, quando não deveria ser assim. Eu sinto que deve saber o quanto vale o seu trabalho porque não estamos pisando na cauda um do outro. Sinto que isso acontece especificamente na Colômbia. Então aí está uma dualidade importante, bom, as pessoas tem que entender e saber que há projetos que não podem ser realizados, e eu ao menos tenho muito claro de que não vou presentear o meu trabalho. Mas sim, tenho muito que agradecer a Colômbia, é uma gente talentosíssima e recebem os venezuelanos de braços abertos, e criam histórias para nós, além de compartirem seu talento porque é uma gente muito talentosa", diz María Gabriela.

- Os latino-americanos se parecem tanto como pensamos?
- Não, mas acredito que esse é um problema que surge quando nos rotulamos como: "eu sou venezuelano e faço isso ou aquilo", ou, "eu sou colombiana e me comporto dessa maneira", ou, "sou mexicano e como pimenta"... Acho que é um problema de nós mesmos colocarmos essas barreiras e aconteceu muito comigo. Eu vivo fora há 9 anos, em diferentes países, e cada vez me dou mais conta de qual o lugar onde se quer estar, e o lugar que ama, e eu posso te dizer neste instante que tenho uma parte gigante do meu coração que é colombiana, uma parte gigante do meu coração que é mexicana, e que eu poderia vestir a bandeira de todos esses países e o faria mas não posso porque já sabe que as pessoas te julgam e te criticam por qualquer coisa.
Eu sinto que o mais importante de toda essa diversidade tão incrível que estamos tendo nos últimos anos é o que estou levando dessa experiência, que é ganhar a cultura de outros países. Eu tenho agora um linguajar super estranho porque digo coisas que não entendem por aqui, ou tenho um sotaque diferente e eu adoro porque gosto de me sentir parte de cada lugar e porque tenho me sentido bem vinda. Sinto que as pessoas tem me aberto os braços e isso é lindo, apesar de todos os problemas nós venezuelanos possamos ter, nos receberam em muitos países com os braços abertos. É minha experiência. Mas sinto que alguém sempre vai se sentir estranho porque não é nada como sua terrinha.
Eu chego aqui e posso ter mil anos vivendo fora, mas não há nada como as ruas onde você cresceu, não há nada como a comida, o lugar, porque não há lugar tão espetacular como esse, e você não toma conhecimento disso quando está longe. Não há pessoa que queira mais sua terra que os que não podem estar nela, porque você vive em outra perspectiva e sim, sinto que não somos parecidos mas temos que apreciar essas diferenças e usá-las ao nosso favor, sinto que isso é o que tenho aprendido através dos anos... Na minha curta vida".

- Por quê decidiu se tornar vegana?
- Tinha tempo querendo ser ao menos vegetariana, sempre tem estado em mim a sementinha, e eu amo a carne, é o melhor sabor, mas quando cheguei na Colômbia, Christian (McGaffney) estava em Los Angeles e eu me sentia muito sozinha, o que começou a me pegar.
Um dia, a caminho do apartamento, passei por uma loja de mascotes e vi um letreiro que dizia "gatos em adoção". Entrei e estavam todos dentro de jaulas, a mamãe tinha sido atropelada e os bebês estavam a ponto de morrer, então vi a Eleanor Rigby - comenta com um sorriso -. A levei pra casa e eu odiava os gatos, me dava asco, horrível... no dia seguinte amanhecemos juntinhas e foi amor completamente. E foi por ela, porque começou a me ocorrer algo muito estranho, eu ia a um restaurante, olhava um bife e via a Eleanor, e eu dizia, que diferença tem com a minha gata? Nenhuma... Por quê como uma vaca e não como a Eleanor? Por quê amar uns e matar os outros? Agora não tem volta atrás. Isso foi há uns três anos mais ou menos, depois fui aprendendo sobre as razões ambientais pelas quais as pessoas não deveriam comer tantos animais.
Eu quero ser mamãe e tenho esse instinto maternal super forte, quero que meus filhos vivam em um lindo planeta, que tenha árvores, o mar seja limpo e esteja cheio de pexes e que possam respirar ar, e eu não o faria se fizesse parte... Estou judiando a vida das pessoas que mais amo na vida, e ainda não conheço. E depois o tema da saúde também. Eu investiguei, já tenho uma nutricionista que me ajudou com todo o processo, porque no início fiquei doente, me deu anemia por não saber como substituir as coisas".

- Gaby, pra finalizar... Você é uma pessoa muito jovem e tem uma relação estável mas faz muitas coisas, além disso os dois são do meio artístico. Como são capazes, Christian e você, de equilibrar tudo isso?
- Christian é maravilhoso... Isso é muito bobo, por favor não vão sorrir; quando você encontra a pessoa com quem quer passar o resto da vida, a coisa flui, é assim, e você faz todo o possível pra que funcione. Passamos momentos super difíceis inclusive porque já nos separamos em muitas oportunidades. Eu sempre digo que está nas letras miúdas do contrato da nossa profissão e nós escolhemos essa profissão antes de escolher ser um casal e é muito importante que nos apoiemos nos trabalhos um do outro e sejamos o motor e não o freio de mão, acredito que esse foi nosso lema em todos essas anos e a verdade é que cada vez é mais difícil nos separar porque obviamente cada vez nos amamos mais, cada vez estamos mais tempo junto e agora foi difícil.
Ele sempre foi um pouco mais centrado, e como 'temos que nos separar e está tudo bem, vamos voltar a se ver, e você, fica tranquila, é só um par de meses', mas agora nós dois estávamos nessa, estávamos super tristes porque apesar de serem apenas dois meses e meio, é difícil, porque você vai a outro país assumir um desafio muito complicado e não está com a pessoa com a qual compartilha os dias da sua via, mas eu também sinto que é como termos a oportunidade de tirar proveito dessa separação. É nossa decisão se a relação se fortalece ou se vai pelo ralo, e temos tomado a decisão certa,e seguiremos fazendo espero que para o resto de nossas vidas. O lado positivo é que temos a oportunidade de senti saudade e agora aproveitar a tecnologia que te faz estar literalmente a um 'clic' da pessoa... Então, bom, aguentar, confiar e apoiar o outro, acho que é o mais importante".

Confira também imagens da entrevista em nossa galeria clicando nas miniaturas abaixo:

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